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A sombra em Jung: olhar para dentro antes de querer mudar o mundo

  • Foto do escritor: Raísa Barcellos
    Raísa Barcellos
  • 12 de mar.
  • 2 min de leitura

Esta frase que é atribuída a Mahatma Gandhi, é citada em fontes que discutem sua filosofia de transformação pessoal e social. Porém, os ensinamentos de Gandhi foram divulgados através de discursos ou discussões e não através de publicações formais com títulos e citações específicas, portanto não é possível verificar a fonte dessa frase.


De qualquer forma, a frase se popularizou, provavelmente não foi dita exatamente assim por Gandhi, porém, é um ensinamento interessante e que não deixa de refletir de alguma forma a sua filosofia. 


O que significa ser a mudança que você quer ver no mundo? 

Vamos agora nos permitir ampliar a ideia trazida por esta frase que sempre me gerou interesse. Jung ao longo do seu trabalho, se mostrou preocupado com a questão da sombra e deu especial importância ao trabalho com a sombra pessoal. 


Na sombra frequentemente encontramos qualidades nossas que consideramos desagradáveis que preferimos ocultar, além de tudo aquilo que acreditamos não ser e características que acreditamos não ter. Nós temos enorme dificuldade em olhar para nossa própria sombra e é um grande desafio suportar a sua existência, porém, a sombra é parte viva da nossa personalidade. 


Esse “olhar para dentro” e começar a reconhecer nossos conteúdos sombrios é um trabalho desagradável. A nossa primeira tarefa é reconhecer a existência da  sombra, reconhecer a existência dessa parte da nossa personalidade. Depois de admitir a sua existência, o desafio maior é tomar consciência dos conteúdos seus conteúdos. Essa tarefa de tomar consciência dos conteúdos da sombra nos coloca em uma batalha interna, onde entramos em contato com nossa resistência moral, já que estamos falando aqui de temas que não são agradáveis para nós. 



Uma forma de começar a reconhecer nossa sombra é na projeção, nós projetamos no outro o que consideramos negativo ou desagradável, já que é mais fácil enxergar no outro do que em nós mesmos. Agora quando você achar alguém, por exemplo, extremamente irritante, você pode se perguntar o que te irrita naquela pessoa? E agora vem a parte desagradável, o que te irrita nela também existe em você. Através desse trabalho com a sombra e ao começar a reconhecer em quem (ou no que) colocamos as nossas projeções, podemos começar a “ser a mudança”. Fazer análise é, com certeza, uma forma de entrar em contato com os nossos conteúdos sombrios. E fazendo ou não análise, o exercício diário de reconhecer as nossas projeções é essencial para ganharmos consciência. 


E como diz uma outra frase, talvez menos famosa, mas esta sim de fonte confirmada “E não vos acostumeis com este mundo, mas transformai-vos”. (Romanos 12:2)


Para mais sobre a sombra: 


7/1 - Psicologia do Inconsciente, o capitulo V pode ser interessante: O inconsciente pessoal e o inconsciente suprapessoal ou coletivo.  


Ao Encontro da Sombra que um livro organizado por Abrams Jeremiah e Connie Zweig e que contém artigos de vários autores, incluindo Jung e Von Franz. 

 
 
 

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Raisa Barcellos - Analista Junguiana

 

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