Autoconhecimento em Jung: por que olhar para dentro pode ser tão difícil
- Raísa Barcellos

- 12 de mar.
- 2 min de leitura
Olhar para dentro pode ser assustador. Olhar para dentro dá trabalho e vai exigir tempo. Sonhar, lembrar dos sonhos, anotar os sonhos, pensar sobre os sonhos, escrever sobre o que você pensou sobre os sonhos… Isso vai tomar tempo.
E o pior de tudo, o que eu vou encontrar se começar a “mexer demais” com esses conteúdos? E assim vamos… passamos anos das nossas vidas, ou uma vida inteira, encontrando as mais perfeitas desculpas para não olhar para dentro. Para não dar espaço aos conteúdos do nosso inconsciente que nos chamam. E a verdade é que: nós sabemos que eles chamam, mas na maioria das vezes preferimos ignorar.
Esse trabalho de olhar para dentro e entrar em contato com os nossos conteúdos e emoções mais íntimas, é um trabalho que em algum momento nas nossas vidas precisamos fazer. A tarefa da individuação, como disse Jung, é uma tarefa impiedosamente importante. Assim como dedicamos tempo das nossas vidas para nossas carreiras, deveríamos dedicar tempo das nossas vidas para olhar para dentro.

Mas o que é “olhar para dentro”?
Olhar para dentro é ter a coragem de admitir, antes de mais nada, que não sabemos de tudo sobre nós mesmos. É admitir que a incerteza e o não saber, são partes constantes das nossas vidas. Olhar para dentro é o primeiro passo para o famoso autoconhecimento. Por mais que eu ache que seria mais adequado falar de “autoconhecendo” em um gerúndio eterno, já estamos sempre descobrindo, aprendendo e conhecendo quem somos. Uma vez que não somos seres estáticos, feitos de plástico, somos seres orgânicos, em constante mudança.
É então admitir, que a incerteza mora nas nossas certezas. É se permitir questionar. Questionar até aquelas coisas que são supostamente inquestionáveis. É se permitir, olhar para aquele incômodo que não sabemos de onde vem. Pode ser aquela sensação de que “tem alguma coisa faltando”, ou “tem alguma coisa que não deveria estar ali”. Ou simplesmente de “tem alguma coisa errada”. Aquela ansiedade constante que vem de dentro, de algum lugar, mas que é difícil explicar de onde.
E como é que eu faço para "olhar para dentro”? A verdade é que você vai ter que encontrar a sua forma de “olhar para dentro”. Quando estamos falando de Jung, a primeira forma de olhar para dentro são os sonhos, segundo ele, os sonhos são o meio mais importante de acesso ao inconsciente. Os sonhos vão trazer para nós aqueles conteúdos que não temos coragem ou prontidão para olhar e que sozinhos não conseguimos identificar.
Olhar para dentro pode ser dedicar tempo à terapia, escrever, anotar seus sonhos, pensar sobre suas emoções, sintomas, prestar atenção em como você reage à vida, às pessoas, prestar atenção no mundo e nas coisas que acontecem ao seu redor. Estar mais presente na sua própria vida.
Qual é a sua forma de olhar para dentro?



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