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Literatura e Psicologia Analítica

  • Foto do escritor: Raísa Barcellos
    Raísa Barcellos
  • 12 de mar.
  • 2 min de leitura

Cada personagem uma vida, uma história que nos faz rir, chorar, sentir raiva ou amor, embrulho ou borboletas no estômago. Alguns livros nos marcam tanto, que chegam a deixar uma tristeza porque nunca vamos poder lê-los pela primeira vez novamente. Segundo Von Franz a Psicologia e literatura vem do mesmo útero: a psique humana. 


Von Franz, nos fala que muitas obras literárias se empenham em descrever o mundo das paixões humanas, a experiência eterna de alegrias e tristezas, amor, poder, ódio, intrigas e transcendência e muitas vezes a literatura descreve esses reinos humanos com tanta maestria que a psicologia não tem nada a acrescentar e pode inclusive aprender com isso. 


Ela ainda ressalta que como estudiosos e interessados na psique humana, não estamos necessariamente preocupados com a qualidade artística de um trabalho de arte. Para nós, um simples pedaço de papel com uma história que pode parecer sem importância, pode conter motivos simbólicos interessantes que apontam para os mais diversos processos do inconsciente coletivo. Podemos aprender e de fato aprendemos muito com a literatura (sempre importante dizer...). 


Imagem: Jonathan Wolstenholme - The surreal books (1950)
Imagem: Jonathan Wolstenholme - The surreal books (1950)

Além disso, Von Franz nos diz que textos, histórias, assim como sonhos, destinam-se a ter um efeito curativo na sociedade. E que inclusive, em sociedades primitivas o contador de histórias era geralmente o shaman, o “homem medicinal” ou curandeiro da tribo. Assim como os sonhos, histórias teriam uma função compensatória, isso quer dizer, de compensar uma atitude coletiva. E ainda, o efeito curador pode consistir em chamar a atenção para constelações inconscientes perigosas e doentes. O efeito de cura, vem justamente dessa tomada de consciência de elementos sombrios individuais e coletivos. 


Von Franz também nos chama atenção para o fato de que hermenêutica, que é uma palavra de origem grega e significa a arte ou técnica de interpretar e explicar um texto vem de Hermes. Hermes é um mestre da palavra (logos) e também um mensageiro que se move entre o mundo dos deuses (arquétipos do inconsciente coletivo) e o mundo dos homens, fazendo uma ponte, estabelecendo uma conexão entre os dois mundos. Apolo, irmão de Hermes, é o deus da arte (e da medicina). O artista, o escritor, é o responsável por dar forma a conteúdos que vem das profundezas da psique. Hermes (o mensageiro), ajuda o artista a comunicar isso para todos os homens. 


Nessa relação, está para Von Franz, a mágica da colaboração entre a psicologia profunda e a escrita, a arte. Um responsável por dar forma a esses conteúdos inconscientes e o outro por comunicar e ajudar que tais símbolos sejam entendidos. Dessa forma, ler um livro, ou apreciar uma obra de arte, a partir de uma perspectiva da psicologia junguiana, ou com uma atitude junguiana, significa deixar espaço para a imagem nos contaminar, crescer e ganhar outras formas. 


Fontes e mais informações: 

Analytical Psychology and Literary Criticism, Marie-Louise von Franz

Mitologia grega Vol. II, Junito Brandão

 
 
 

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Raisa Barcellos - Analista Junguiana

 

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